Serei sincera desde o início. Escrever isto parece uma tolice. Tenho 68 anos, cultivo legumes e nunca na minha vida tive uma opinião sobre um cesto de roupa suja que valesse a pena partilhar.
Mas três mulheres perguntaram-me pelo meu quando a associação de hortas comunitárias veio tomar chá, e já contei esta história tantas vezes que escrevê-la uma vez pareceu-me a opção mais rápida.
Foi a Sylvia que começou tudo. Subiu à casa de banho, passou pelo corredor e voltou com as sobrancelhas arqueadas.
Desde quando é que tem uma coisa dessas?
Ela referia-se ao cesto da roupa suja. O cesto da roupa suja. Conheço a mulher há trinta anos e a primeira coisa que ela pergunta sempre em minha casa é onde guardo as toalhas.